Nenhum de nós já deu de cara com a eternidade. Eu acho. O tempo passa pelos fios das coisas, enruga as caras, enfraquece os ossos. Nós nos esforçamos pra arriscar as primeiras andas, dar os primeiros passos. Mas ele vai nos tombando, tropeço a tropeço, em direção à terra. Do pó e ao pó. Não vejo isso com descaso, nem desespero. O tempo passa pela copa das árvores. Forra o chão de folhas velhas.
Nós fomos inventados pelo tempo - e o tempo é também invenção nossa.
Mas esse tempo que os relógios contam e esse tempo que as árvores, minhas rugas e meus ossos conhecem, eu quero gastar - e muito - estando com a minha gente.
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